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Descubra como valores influenciam as pessoas.

Como os valores influenciam as escolhas?

A mesma pessoa escolhendo o mesmo produto em contextos diferentes toma decisões mais distintas do que duas pessoas diferentes escolhendo o mesmo produto no mesmo contexto.

Pense em você mesmo por um segundo. você pode comprar uma camisa da sua banda favorita para parecer mais descolado. Ou escolher um blazer para uma reunião importante porque quer expressar profissionalismo. Talvez até compre um look com estampa florida para ir à praia. Mesma pessoa, mesmo problema, três escolhas, três valores diferentes.

São esses valores e crenças que dão significado emocional ao consumo. E isso vai muito além da utilidade prática.

Entenda: comemos para saciar a fome, mas as escolhas do que, onde e como vamos comer variam completamente conforme o momento e as circunstâncias. O mesmo ato de se alimentar pode ter sentidos completamente diferentes.

Uma marmita barata pode te manter vivo. Comemorar uma conquista num restaurante caro pode representar mérito ou merecimento. Comprar chocolates para crianças na Páscoa é uma genuína demonstração de afeto. Convidar alguém especial para jantar num lugar bacana revela o desejo de impressionar.

Percebe como os valores transformam o consumo?

Em outros setores, o mesmo padrão se repete. No mercado de automóveis, toda motocicleta é um meio de transporte, mas cada uma carrega um significado que muda conforme quem pilota. Uma Pop 100 simboliza conquista e independência para um jovem no primeiro emprego. Para um empresário sentir o mesmo gosto de vitória, talvez precise de uma moto bem mais robusta.

No mercado dos smartphones, qualquer aparelho permite ligar e enviar mensagens. Mas as escolhas revelam valores: tem gente que compra pela câmera avançada, outros pela capacidade de processamento. Haverá também aqueles que compram para mostrar que pensam diferente ou, se sentirem mais ricos.

Agora você está começando a entender como funciona a mente do consumidor. Vamos aprender a identificar seus valores?

“Zé, quer dizer que eu preciso estudar cada ser humano individualmente?”

Sim e não. Somos únicos e imprevisíveis, mas também somos condicionados por padrões. Vivemos sob o mesmo modelo econômico, compartilhamos das mesmas leis e acordos sociais, reconhecemos necessidades básicas similares. A diferença real está no poder de compra, posição social e na maneira como cada um dá sentido às suas experiências.

No livro “Tipos de Pessoa”, o filósofo Eduard Spranger apresenta uma ferramenta poderosa para entender como as pessoas veem o mundo. Segundo ele, existem três atitudes básicas, divididas em seis valores universais, que mapeiam como os indivíduos dão significado ao consumo. Essas crenças, muitas vezes invisíveis, influenciam diretamente suas escolhas.

Os seis tipos de pessoa segundo Eduard Spranger

Antes de falar de marca, é preciso olhar para o ser humano. Não existe escolha sem valor por trás. Para Spranger, cada pessoa vive orientada por um valor dominante. Esse valor não é moda, não é emoção momentânea e não é preferência simples. É a maneira como a pessoa enxerga o mundo. É a lente que organiza o que ela considera certo, importante ou aceitável.

Ninguém é composto por um único valor. Sempre existe um que pesa mais. E é esse valor que aparece nas decisões, na forma como a pessoa reage, cria vínculos, rejeita produtos e se envolve com marcas.

A proposta aqui é explicar os seis tipos de Spranger de maneira prática, sem transformar teoria em jargão. É vida real. É comportamento. É consumo.

O teórico, o econômico, o estético, o político, o religioso e o social não são rótulos. São direções internas. Cada um vive de um jeito e responde a estímulos de maneira diferente. Quem trabalha com marca e comunicação precisa reconhecer isso.

O Consumidor Teórico. O teórico move a vida pela necessidade de clareza. Ele precisa entender como as coisas funcionam. Não aceita informação pela metade. Analisa, compara, pesquisa e só toma decisão quando tudo faz sentido lógico para ele. Spranger descreve esse tipo como alguém orientado pela busca de conhecimento verdadeiro.

Esse consumidor não confia em promessas vazias. Ele quer dados. Quer entender a mecânica, a química, a engenharia por trás do produto. Para ele, conhecimento reduz incerteza, e a incerteza o incomoda profundamente.

Pense na pessoa que passa horas pesquisando antes de comprar um celular. Ela não quer saber se é bonito ou se está na moda. Ela quer entender qual processador é mais eficiente, quantos núcleos tem, qual a frequência, como isso impacta no desempenho real. Ela assiste vídeos técnicos, lê especificações, compara um produto com outro.

Ou pense no consumidor que está escolhendo um filtro de água. O teórico não escolhe a marca mais famosa ou pela embalagem bonita. Ele pesquisa os tipos de filtragem: carvão ativado, osmose reversa, luz ultravioleta. Ele quer entender qual sistema remove mais contaminantes, qual a vida útil de cada elemento filtrante, qual a vazão em litros por hora. Ele não escolhe pelo preço ou pela propaganda. Escolheu porque entendeu qual funciona melhor para o que ele precisa.

No mercado, o teórico valoriza marcas que não escondem informação. Ele respeita a transparência. Se você vende um produto e explica exatamente como funciona, por que funciona, qual a composição, qual a origem, você conquista esse consumidor. Ele cria vínculo quando sente que a marca o trata como alguém inteligente o suficiente para tomar decisões informadas.

O teórico rejeita marketing emocional vazio. Propaganda com música bonita e imagens felizes não funciona com ele. Ele quer dados, comparações, provas. Quando encontra uma marca que oferece isso, ele se torna fiel. Não por emoção, mas por confiança racional.

O Consumidor Econômico. O econômico não é o avarento, ele é orientado por eficiência. Ele busca o melhor retorno sobre o investimento, e isso pode significar pagar muito mais caro. Spranger descreve esse tipo como alguém que valoriza a utilidade prática das coisas. Ele não desperdiça. Ele não gasta por gastar. Mas também não economiza de forma burra. Ele calcula retorno.

O econômico pensa assim: “Quanto isso me custa versus quanto isso me entrega de resultado prático?”

Pense na pessoa comprando um notebook. Ela pode escolher um modelo básico ou um modelo profissional que custa 4x mais. O econômico não escolhe automaticamente o mais barato. Ele calcula: se o notebook barato trava, demora para processar e me faz perder horas por dia de produtividade, em um ano eu perdi centenas de horas de trabalho. Se essas horas valem dinheiro, o notebook barato sai muito mais caro no final das contas. O notebook caro é infinitamente mais econômico.

Ou pense no empresário escolhendo um sistema de gestão. Ele pode usar uma planilha gratuita ou pagar mensalmente por um software profissional. O econômico não fica com o grátis. Ele calcula: a planilha me faz perder horas por mês em retrabalho, erros e falta de integração. O software profissional na verdade economiza tempo e dinheiro.

Ele valoriza ferramentas que aumentam a eficiência, mesmo que custem caro. Valoriza produtos que duram muito, mesmo que o investimento inicial seja alto. Valoriza serviços que resolvem problemas de verdade, mesmo que pareçam caros à primeira vista.

O econômico compra o ar-condicionado inverter que custa mais na compra porque ele calcula que vai economizar na conta de luz todo mês. Em alguns meses, já se pagou. O resto é lucro.

Ele contrata um advogado caro em vez do barato, porque sabe que o caro resolve o problema de vez e o barato pode deixar brechas que vão custar muito mais depois.

Esse consumidor valoriza durabilidade, rendimento, funcionalidade real e retorno sobre investimento. Ele respeita marcas que cumprem o que prometem e entregam valor genuíno. Ele odeia propaganda enganosa. Se você diz que o produto dura 12 meses e dura 6, você perderá esse cliente para sempre.

O econômico consome para resolver problemas e maximizar resultados. Ele quer que as coisas funcionem bem, durem bastante e justifiquem cada centavo investido. Quando encontra uma marca que entrega isso de forma consistente, ele volta sempre. Não por emoção, mas por lógica prática de retorno.

O Consumidor Estético. O estético vive o mundo através da sensibilidade. Ele não apenas vê, ele sente. Ele não apenas ouve, ele absorve. Spranger explica esse tipo como alguém orientado pela busca de beleza, harmonia e experiência sensorial.

Para o estético, a forma importa tanto quanto a função. Às vezes, mais.

Esse consumidor escolhe pela atmosfera, pelo design, pela sensação que algo provoca nele. Ele entra numa padaria e decide se volta ou não pela iluminação, pelo cheiro, pela organização do espaço, pela forma como os pães estão expostos. O pão pode ser o mesmo da padaria do lado, mas se a experiência é melhor, ele paga mais e volta sempre.

Pense na pessoa que escolhe um restaurante pela decoração. Ela quer que o ambiente seja bonito, que a música seja agradável, que os pratos sejam bem apresentados. A comida precisa ser boa, claro, mas se vier num prato feio, numa mesa mal arrumada, num ambiente sem personalidade, perde a graça.

Ou pense na consumidora que compra roupa. A pessoa estética não quer apenas que a peça seja confortável e durável. Ela quer que a roupa expresse algo. Que a cor combine, que o caimento seja bonito, que o tecido tenha boa textura. Ela valoriza a identidade visual da marca, a forma como a loja é arrumada, até a sacola em que a compra vem embalada.

O estético é o consumidor que fotografa o prato antes de comer. Não por ostentação, mas porque ele genuinamente aprecia a beleza daquele momento. Ele valoriza marcas que criam experiências memoráveis, que cuidam dos detalhes, que têm identidade visual forte.

No mercado, o estético responde a marcas que investem em design, em ambiente, em coerência visual. Ele não precisa de justificativa racional para comprar. Se ele sente que aquilo é bonito, autêntico e bem feito, ele compra. A emoção sensorial é o critério.

Marcas que tentam competir apenas por preço ou funcionalidade com esse público falham. O estético paga mais caro por algo bem apresentado, bem embalado, bem construído esteticamente. Ele valoriza artesanato, personalização, exclusividade visual. Quando encontra uma marca que fala a língua da beleza de forma honesta, ele se apaixona.

O Consumidor Político O político não é o profissional da política. Segundo Spranger, a pessoa política é orientada pela necessidade de afirmar posição, conquistar poder e exercer influência. Para ele, consumo é ferramenta de comunicação social e construção de imagem. Ele não compra apenas o produto. Ele compra o que aquele produto comunica sobre seu lugar na hierarquia social.

O político sabe que poder não é só sobre competência. É sobre percepção. E consumo molda essa percepção. Pense no executivo que usa terno de grife, relógio suíço e dirige carro importado. Ele faz isso porque esses símbolos comunicam autoridade antes mesmo de ele abrir a boca. Quando ele entra numa reunião, as pessoas já o avaliam pela roupa, pelo relógio, pelo carro. E isso afeta como ele é tratado, ouvido e respeitado.

Ou pense no funkeiro que usa corrente de ouro, tênis de edição limitada, roupa de marca reconhecível. Ele também está comunicando: “A favela venceu! Eu sou a prova de que é possível.” A roupa não é vaidade, é manifesto visual de conquista.

O político consome para se diferenciar. Ele não quer ser como todo mundo. Ele quer estar acima. Carros importados são território sagrado desse consumidor. Uma Ferrari, um Porsche, um Mercedes não são apenas transporte. São declarações de poder. O político sabe que as pessoas julgam pelo carro. Ele chega de BMW e é tratado diferente. Ele sabe disso e usa a favor dele.

Roupas de luxo funcionam igual. Um terno italiano de alfaiataria, uma bolsa Hermès, um sapato Louboutin. São armaduras sociais. São sinalizadores de “eu pertenço a outro patamar”.

Ele compra ingresso VIP não porque a visão é melhor. É porque VIP significa “Very Important Person” ou pessoa muito importante. É diferença física. É estar literalmente acima, num lugar que nem todos podem estar.

O político valoriza a exclusividade. Edições limitadas. Acesso restrito. Convites especiais. Tudo que diga “nem todos podem ter isso, mas você pode”. Porque cada item exclusivo reforça sua diferenciação.

Ele busca posições de liderança. Quer ser CEO, diretor, presidente, líder, influenciador. Quer o título que comunica autoridade. E consome de forma a reforçar esse papel.

No mercado, o político rejeita marcas que não tenham reputação social forte. Não importa se o produto é bom. Se ninguém reconhece a marca, ela não serve. Porque o produto não está fazendo o trabalho de sinalização social que ele precisa.

Ele pode pagar muito mais por algo objetivamente inferior, desde que aquilo reforce sua posição. Um carro de luxo que faz 3 quilômetros com um litro de gasolina pódium não é problema se todo mundo sabe o que aquele bem significa.

Marcas que entendem o consumidor político sabem que não estão vendendo produtos. Estão vendendo diferenciação, status, poder simbólico. Quando você entende que o político usa consumo como construção de autoridade e influência, você para de julgá-lo como superficial e começa a se comunicar com ele de forma eficaz. 

Ele tem necessidades sociais legítimas de reconhecimento, poder e liderança. E o consumo é a ferramenta mais eficaz que ele tem para satisfazê-las.

O Consumidor Religioso

Aqui, “religioso” não significa necessariamente alguém que frequenta igreja ou templo. Spranger usa o termo para descrever quem busca uma coerência profunda entre crença e ação. É sobre unidade interior. É sobre viver de acordo com princípios que transcendem o imediato. O religioso busca a perfeição, a transcendência e a coerência absoluta. Para ele, o mundo não é um amontoado de fatos isolados, mas um sistema que precisa fazer sentido sob uma verdade maior.

O religioso não toma decisões por impulso. Ele filtra tudo pelos seus valores fundamentais. Pode ser fé, pode ser ética, pode ser uma filosofia de vida ou a busca por uma perfeição pessoal. O importante é que existe um critério interno que não se negocia. Ele não busca apenas o bem comum, ele busca a integridade do próprio ser. Se ele falha em seguir seus princípios, ele não sente apenas culpa social; ele sente uma desintegração interna.

Pense no fisiculturista que segue uma dieta rigorosa. Ele recusa a pizza no fim de semana não porque a pizza é cara ou feia. Ele recusa porque tem um objetivo maior: construir o corpo ideal. Ele busca uma transcendência física, o “corpo templo”. Para ele, cada escolha alimentar é um ato de fidelidade aos próprios princípios. Furar a dieta não é apenas comer mal, é trair a si mesmo, é quebrar um rito de perfeição. Da mesma forma, o cristão pode abrir mão dos prazeres da carne não por falta de vontade, mas em busca do paraíso. O sacrifício é o preço da coerência.

Ou pense no vegano sob essa ótica. Ele rejeita qualquer produto de origem animal porque busca um estado de pureza ética e justiça que transcende a conveniência. Ele paga mais caro e abre mão de confortos porque a incoerência entre o que ele acredita e o que ele consome seria insuportável. Para o religioso, o consumo é um reflexo do seu caráter. Ele quer saber: este ato de compra reforça ou conflita com meus valores?

O religioso é o consumidor que pesquisa a fundo as práticas da empresa. Ele quer saber se existe hipocrisia. Se a marca se diz sustentável mas polui, ele abandona. Se a marca se diz ética mas explora funcionários, ele boicota. Para ele, caráter não se negocia e a hipocrisia é o pecado supremo. No mercado, ele cria vínculos profundos com marcas que vivem seus valores de forma prática e consistente. 

Quando encontra essa coerência, ele se torna um defensor fanático, pois aquela marca representa fielmente a sua visão de mundo.


O Consumidor Social

O social organiza a vida pela relação com as pessoas. Spranger descreve esse tipo como alguém motivado por empatia genuína, cuidado com o outro e responsabilidade coletiva. Enquanto o religioso busca a unidade interna e a perfeição dos princípios, o social busca afirmar o valor da vida. Ele não consegue separar o ato de comprar da consciência humana envolvida naquela transação. Para ele, cada decisão de consumo é um gesto de amor ou de descaso pelo próximo.

Esse consumidor pensa constantemente no impacto que suas escolhas causam na comunidade. Ele não está focado em uma transcendência pessoal ou em um código de perfeição; ele está focado na alteridade. Para ele, o consumo é uma ferramenta de justiça social e distribuição de dignidade. Cada compra é, na verdade, um voto sobre o tipo de sociedade que ele deseja construir.

Pense na pessoa que escolhe comprar na feira do pequeno produtor em vez do supermercado grande, mesmo pagando mais caro. Ela não faz isso necessariamente para atingir uma “pureza” pessoal, mas porque quer que aquele agricultor familiar prospere. Ela quer que o dinheiro dela chegue à mão de quem trabalha a terra.

O social é quem doa, quem contrata o prestador de serviço conhecido para ajudá-lo, quem se preocupa se o café que toma é de comércio justo. Ele quer saber: essa marca paga um salário digno? Trata os funcionários com humanidade? Se a resposta for não, ele não compra, porque sente a dor da exploração alheia como se fosse sua. Ele valoriza empresas que devolvam algo para a sociedade, que contratam pessoas com deficiência ou que investem em educação comunitária.

O social não consome apenas para si; ele consome pensando no coletivo e na preservação das relações humanas. Ele cria vínculos com marcas que demonstram cuidado real com a gente. Ele não quer marketing social vazio, ele quer prática humanizada. 

Quando descobre que uma marca explora pessoas, ele se sente traído pessoalmente e abandona a empresa. Para o consumidor social, o lucro nunca pode estar acima do ser humano. 

Marcas que entendem isso e tratam toda a cadeia com dignidade conquistam um cliente que enxerga  a empresa como uma aliada na construção de um mundo melhor e mais justo.

Quando Valores Entram em Conflito

Valores não convivem em paz; vivem em guerra constante. É exatamente esse conflito que explica boa parte das brigas, desentendimentos e polarizações que vemos no mundo. Discussões acaloradas sobre política, estilo de vida, consumo e visões de mundo não são apenas teimosia. É a sociologia, a psicologia e o mercado dançando uma ciranda complexa onde cada um enxerga a realidade por uma lente diferente.

Para entender esse choque, podemos organizar os valores em três grandes campos de batalha: os Tradicionais, os Utilitários e os Individualistas.

O Bloco Utilitário (Econômico e Teórico)

Aqui, o foco é a eficiência, o resultado e a lógica. Para o Econômico, alguém Estético sempre será um hippie que desperdiça recursos com futilidades. Ele questiona por que gastar tanto num prato bonito se um barato mata a fome da mesma forma. O Econômico busca o retorno. Já o Teórico olha para o Religioso e enxerga irracionalidade. Ele não entende como alguém recusa um negócio lucrativo por uma convicção que não tem base lógica ou científica. Para o bloco utilitário, o que não pode ser medido ou convertido em progresso é perda de tempo.

O Bloco Individualista (Político e Estético)

Neste campo, o que importa é a expressão do Eu e a posição no mundo. O Político busca influência e reconhecimento. Para ele, o Social é um idealista ingênuo porque acredita que de nada adianta ajudar os outros se você não tem poder para mudar as estruturas. Ele sabe que a posição social abre portas. Já o Estético despreza a frieza do Econômico. Ele acredita que a vida sem beleza e experiência é vazia e não vê sentido em acumular números se você não sabe apreciar a harmonia de um momento. Para eles, a vida é uma obra de arte ou uma escalada de influência.

O Bloco Tradicional (Religioso e Social)

Este bloco é regido por princípios que transcendem o indivíduo, focando na ordem moral ou no bem-estar do próximo. O Religioso busca a unidade entre o que acredita e o que faz; para ele, o Teórico é uma alma fria que analisa tudo, mas não vive nada com propósito. Já o Social foca na alteridade. Ele olha para o Político e vê um ego inflado, questionando por que ele precisa de tanto destaque em vez de usar essa energia para cuidar de quem precisa. Para os tradicionais, a vida só faz sentido se estiver a serviço de um valor maior, seja a ética, a fé ou a comunidade.


A Guerra das Percepções

Esses conflitos acontecem em todo lugar: na mesa de jantar, nas reuniões de diretoria e nos comentários das redes sociais. O choque ocorre porque cada grupo julga o outro usando a sua própria régua. O Utilitário julga pela utilidade ou pela falta dela. O Individualista julga pelo impacto e pela forma. O Tradicional julga pela intenção e pela moralidade.

Quando você entende que não se trata de pessoas certas ou erradas, mas de valores fundamentais em choque, você para de apenas julgar e começa a decifrar o código por trás do comportamento humano. No mercado, isso é ouro. Você para de tentar vender características e passa a vender ressonância.

A mesma pessoa, valores diferentes

A mesma pessoa pode ter valores diferentes para categorias diferentes. Você pode ser extremamente econômico ao comprar produtos de limpeza, mas totalmente estético ao escolher roupas. Pode ser teórico ao comprar eletrônicos, mas social ao escolher um produto que promete ajudar as pessoas. Pode ser político ao comprar carro, mas religioso ao escolher alimentação.

Pense na última vez que você escolheu um restaurante. Por que você escolheu aquele e não outro? Talvez porque lá os garçons entendem de vinho (teórico). Ou porque calculou que o preço por prato compensa pela qualidade e quantidade servida (econômico). Ou porque o ambiente era lindo, a iluminação perfeita, os pratos bem apresentados (estético). Ou porque aquele restaurante emprega pessoas da comunidade local e você queria apoiar (social). Ou porque era o restaurante mais badalado da cidade e você queria ser visto lá (político). Ou porque o restaurante tem opções saudáveis que te ajudam a se manter na dieta (religioso).

Seis pessoas diferentes podem escolher o mesmo restaurante por valores completamente diferentes. E a mesma pessoa pode escolher restaurantes diferentes dependendo de qual valor está dominando naquele momento.

Por que isso importa

O mercado inteligente não tenta agradar todo mundo.

Agências de viagem normalmente falam sobre experiências estéticas. Imersões e cursos livres conversam com religiosos. Graduações e publicações científicas se comunicam com teóricos. Marcas de luxo e experiências exclusivas dialogam com o político. Cooperativas e causas sociais conectam com o social. Corretoras de investimento constroem relações com o econômico.

Cada um desses mercados escolheu com qual valor conversar. E aceitou que os outros vão criticar.

Entender valores é entender por que seu produto funciona para uns e irrita profundamente outros. É entender que você não precisa agradar todo mundo. Você precisa entender profundamente quem você quer servir.

Confira minha palestra para o Clube BoraFazer à convite do Fernando Seabra sobre empatia para criar marcas.

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Redação
08/04/2025 às 14:04

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