Estratégias para o microempreendedor virar o jogo

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Quem disse que empreender é liberdade mentiu pra você. Empreender é autonomia. E essa autonomia cobra o preço da sua liberdade. Por um tempo.

Você tem boa vontade para ser quem resolve tudo até poder contratar? Disciplina para abastecer o freezer de mercadoria enquanto todos ainda dormem? Ousadia para apostar tudo o que tem, sem a certeza de que vai ter dinheiro no próximo mês para comer ou pagar as contas? Se sim, parabéns! Você tem espírito empreendedor.

Para empreender no Brasil, você precisa ter coragem. Coragem aqui não é ausência de medo, é agir mesmo com ele. Eu não vou mentir, tenho medo. Muito! Mas acredito que a dor de nunca tentar é maior do que o peso da derrota. Quem nunca começou será sempre derrotado. Não por ter perdido numa disputa honrada contra um adversário superior, mas por nunca ter se desafiado.

Segundo dados do SEBRAE, no Brasil, mais de 12 milhões de pessoas aceitaram o desafio de fazer funcionar um negócio sozinho, com pouco dinheiro, sem manual nem garantia de sucesso. Algumas por escolha, outras por necessidade. A maioria, por uma mistura das duas coisas. Se você está lendo este livro, provavelmente é uma delas.

O Microempreendedor Individual foi criado em 2008 para dar estrutura legal a quem já trabalhava por conta própria na informalidade. Um CNPJ simples, com tributação enxuta, acesso a benefícios previdenciários e a possibilidade de emitir nota fiscal. É o menor formato de empresa reconhecido pelo Estado brasileiro, e também o mais acessível.

Abrir um MEI é gratuito e 100% online. Sem fila, sem cartório, sem contador. Tudo é feito pelo Portal do Empreendedor e acessado via gov.br. Você vai precisar de uma conta gov.br de nível Prata ou Ouro e de ter em mãos seu CPF, RG, comprovante de endereço, e-mail e telefone ativos. Não precisa digitalizar nada, só informar os dados. Em minutos, o sistema emite seu CNPJ e seu Certificado de Condição de Microempreendedor Individual (CCMEI). É isso. Você entra como pessoa física e sai jurídica.

Responsabilidades do MEI

Após a abertura, você passa a pagar mensalmente o DAS, uma guia de recolhimento única que engloba o INSS e os impostos. Eu sei que, às vezes, a coisa aperta e a gente precisa escolher entre comer e pagar as contas. Mas quer um conselho de amigo? Nunca atrase o DAS. A multa é de 0,33% ao dia. Parece pouco, mas, de grão em grão, a galinha enche o papo e pode chegar a 20% ao mês. Imagina em um ano?

Como MEI, você tem um limite máximo de receita anual. Isso não significa que haja um teto mensal fixo, mas sim que a soma dos 12 meses não pode ultrapassar o total anual. Uma vez por ano. Até o dia 31 de maio, você também precisa entregar a DASN, a Declaração Anual do Simples Nacional. É o meio de informar à Receita Federal quanto você faturou no ano anterior. Não tem custo, é feita online pelo Portal do Empreendedor e leva poucos minutos. Mas não ignore! Quem não entrega fica em situação irregular, pode ter o CNPJ cancelado e perde o acesso a benefícios previdenciários. É uma obrigação simples, mas obrigação é obrigação.

Há dois tipos de MEI

1. O MEI comum. Abrange mais de 400 atividades econômicas, organizadas pelo CNAE. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) é o código que define o que sua empresa faz e em qual setor atua. Há quem trabalhe com cabelo, bolo no pote, instalações elétricas, fotografia e muito mais. Tem até quem fabrica os próprios produtos. Independentemente da sua área, haverá sempre um CNAE para transformar seu talento em fonte de renda.

2. O MEI Caminhoneiro. Criado em 2022 para atender às necessidades de quem vive na estrada. Os transportadores autônomos de carga operam com quatro CNAEs exclusivos de transporte rodoviário e pagam uma DAS mais cara. Mas compensa. O limite de faturamento é até três vezes maior do que o do MEI comum.

O MEI não é um fim, é um meio!

Sabe aquela cidade, estado ou país que você sempre quis conhecer? Aquele carro ou moto que vai te tirar do busão lotado? A casa dos sonhos onde você pretende criar seus filhos? O grande negócio que você sempre quis construir? O MEI é o primeiro passo para tornar tudo isso real.

A maioria das pessoas acredita que precisa de milhões para construir um negócio. Eu penso que dá pra fazer muito com pouco, desde que você tenha disciplina, conhecimento e boa vontade. Escrevi este livro não com fórmulas prontas ou atalhos milagrosos, mas com fundamentos que vão sustentar seu empreendimento a longo prazo.

Para organizar esse pensamento, usei o xadrez como estrutura. E não foi por acaso. Xadrez e empreendedorismo carregam o mesmo estigma: coisa de gênio, território de mentes fora do comum, privilégio de poucos. O fato é que ambos os estigmas são falsos. Xadrez e empreendedorismo podem ser simples e até divertidos, desde que você tenha humildade para aprender e disposição para perder muito até conquistar a sua primeira vitória.

O caminho

Primeiro o livro, depois a oficina

O Encontre um MEIo explica o método: planejar, precificar e vender. A oficina coloca isso em prática em quatro horas, com as três ferramentas. Quem passa pelos dois aproveita muito melhor o Marcas da Empatia, que vem em seguida.